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LIXO RADIOATIVO NO SUL DE MINAS VIRA QUESTÃO DE ESTADO

22 de setembro de 2011

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O governo do Estado não irá permitir a transformação do Planalto de Poços de Caldas, no Sul de Minas, em depósito de lixo atômico. Além disso, vai exigir o monitoramento permanente das águas da região, visando acompanhar o teor de radioatividade. As decisões foram comunicadas aos deputados da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, na quarta-feira (21), pelo secretário de Estado de Meio Ambiente, Adriano Magalhães Chaves.

Em reunião que contou com a participação do deputado Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), o secretário afirmou que o problema agora passa a ser questão de Estado. Para tanto, o governo mineiro irá solicitar esclarecimentos às Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), sobre as reais condições de armazenamento de 12 mil toneladas de resíduos nucleares, na Unidade de Tratamento de Minério, no município de Caldas.

Além disso, o Governo quer informações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), sobre monitoramento das águas da Bacia de Águas Claras e sobre o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad), que a INB prometeu implantar no local conhecido como Campo do Cercado, onde há a unidade desativada da empresa e o depósito de resíduos nucleares.

A reunião - presidida pela secretária de Estado de Relações Institucionais, Maria Coeli Simões Pires - foi um desdobramento da audiência pública, realizada em abril, em Caldas, por solicitação do deputado Dalmo Ribeiro Silva. A principal preocupação demonstrada na ocasião foi quanto às más condições do lixo e à possível contaminação das águas do Rio Antas.

A comunidade se posicionou também contrária a novos investimento na unidade, por temer que, após recuperada, a área se transforme em depósito permanente de lixo atômico. Segundo o deputado Dalmo Ribeiro Silva, este é um assunto que não pode esperar mais 11 anos, lembrando que o lixo nuclear de Caldas foi tema da primeira audiência pública que solicitou ao chegar à Assembleia, em 2000. Ele destacou que a reunião com os dois secretários de Estado mostra que o tema avançou desde então e que terá, a partir dessa ação, um peso maior.

O deputado Dalmo Ribeiro segue empenhado em encontrar uma solução definitiva para o problema do lixo radioativo e vai manter a mobilização em torno do caso, inclusive encaminhando relatório sobre o assunto para o governo federal.

Complexo de urânio - Caldas foi o primeiro complexo de extração e concentração de urânio do País para abastecimento das usinas de Angra dos Reis (RJ). Em 1995, a INB, empresa estatal originária da antiga Nuclebrás, encerrou suas atividades de mineração de urânio na região, mas mantém, em suas instalações locais, desde os anos 1980, material radioativo proveniente da Usina de Santo Amaro (Usam), em São Paulo. São 12 mil toneladas de torta II, material composto por tório e urânio, estocadas em condições questionadas por prefeitos e vereadores da região e pelo Ministério Público.


Autor: Assessoria de imprensa


 

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